sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Abuso sexual Infantil: Culpabilização da vítima

"O crime mais angustiante se torna aquele que destrói uma consciência, transformando em ‘assassinato psíquico, como dissemos, quando se trata de uma criança”. (VIGARELLO, 1998)
 
A vítima de abuso infantil se sente culpada pelo abuso sofrido e para responder o por que, é necessário remontar a história das sociedades antigas e medievais para saber como era tratada a criança.
Deparamo-nos com uma infância que não tinha tanta importância devido a sua perda precoce, tanto pela morte como pela mistura muito cedo ao mundo adulto; a criança estava sujeita a toda sorte de violências, incluindo violência doméstica, negligências e abusos sexuais praticados pelas próprias famílias.
O problema é antigo!
Em nome dos bons costumes, os pais que são os maiores responsáveis e figura de maior autoridade na educação dos filhos, passam a fazer cada vez mais o uso de seu autoritarismo ao invés de sua autoridade, fazendo com que mais uma vez a criança não tenha nenhum poder de contestação, gerando em alguns lares a violência contra crianças. Sendo a família o lugar onde a criança aprende a amar, aprende os valores sociais e as regras morais, ela também aprende a odiar e quem apanha, também aprende a bater. É um ciclo que começa na infância e pode se estender à idade adulta.
É uma violência contra a criança que remonta a antiguidade e se reproduz nas épocas contemporâneas.
Abuso é um termo usado para definir uma forma de maus tratos de crianças e adolescentes com violência física e psicológica associada. É um ato repetitivo e intencional e sendo repetitivo nos leva a pensar que o abuso é mais praticado por familiares.
Abuso sexual – contato entre um adulto e criança ou adolescente sob forma de coerção física e psicológica, onde um exerce mais poder (adulto) que o outro (criança ou adolescente). A criança é usada para satisfazer os desejos do atacante como se fosse um objeto, uma coisa. A forma de ataque pode ser pela coerção física e psicológica através de abusos verbais (discussão sobre atos sexuais), exibicionismo (exibição dos órgãos genitais), voyeurismo, pornografia infantil e exploração sexual.
Para vítima só resta o silêncio por sentir-se culpada e não acreditada. Há um misto de sentimento de raiva e amor, pois em muitos casos o abusador é o pai ou padrasto e a criança não entende o que está acontecendo com ela, mas sente que algo está errado; não entende por que este ato em relação a ela é totalmente contraditório a sua fase de desenvolvimento.
Na maioria dos casos a denuncia quebra este pacto de silêncio, mas devido à coerção física e psicológica através de ameaças por parte do abusador, por medo e pelo medo da humilhação ou medo de desfazer a família, a vítima demora a denunciar, ficando a mercê do abusador por até quatro, cinco anos. E dentro deste contexto de humilhação e sedução pode ocorrer uma assimilação de valores desfigurados a respeito do ser humano. A vítima pode futuramente, caso não haja tratamento adequado, mudar de papel – de vítima, passar a ser o agressor.
Forma-se assim um ciclo de violência e abuso que historicamente sabemos que é de valor cultural, econômico, social de características individuais tanto do abusador quanto da vítima. São vários fatores, não podendo ser a atribuição da violência apenas um fator.
Intervenção clínica e tratamento
A intervenção, nestes casos, cabe a vítima e também a família, pois desconhecer as relações sociais da vítima gera perda de informações.
Cada caso deve ser escutado e analisado, deve-se tentar fazer uma intervenção coerente.
É importante que se faça um atendimento multidisciplinar, o qual envolva tratamento médico no sentido de amenizar os sintomas físicos, decorrentes do trauma; tratamento social – para convivência junto à sociedade; e psicológico para uma maior elaboração e entendimento do que aconteceu com a vítima. Enfim uma abordagem psicossocial.
O atendimento psicológico serve para que a mesma fale de seus sentimentos de revolta, de vergonha, fale sobre o misto de amor e ódio nutrido pelo agressor, sentimento este que não é de fácil entendimento para vítima. Como entender que quem deveria proteger, machuca?
É um trabalho longo do terapeuta onde vai haver resistências, boicotes principalmente dos pais, pois a maioria gostaria de esquecer o que aconteceu e voltar ao normal.
O que aprendemos no seio familiar é uma construção da sociedade, passado de geração em geração e isto nos faz achar que alguns eventos que acontecem dentro da família são acontecimentos naturais e violência não pode ser o natural de uma família.
Aprendemos que a infância é uma passagem da vida maravilhosa, cheia de encantos e fantasias, mas remontando à história desta fase tão importante, nos deparamos com uma fase cheia de medos, dúvidas, submissão, descobrimentos, ansiedade e conflitos próprios.
Caberia ao adulto amenizar esta conturbada fase, fazendo com que realmente esta seja uma fase encantada.
Por este motivo deve-se, também,  ter um olhar analítico de orientação para o adulto, no sentido de ajudá-lo a enfrentar seus conflitos, pois este adulto foi criança um dia e pode ainda existir uma criança com medo e assustada em algum lugar.
 
 
Por Célia Alves de Lima Ribeiro

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

SERIA O MOTIVO DA MOTIVAÇÃO?


"Pode quem pensa que, pode"...
 
O dicionário Aurélio diz: Motivação é o conjunto de fatores, os quais agem entre si, e determinam a conduta de um indivíduo.
É acreditando neste conjunto de fatores que existe dentro de cada um de nós e que faz com que determinemos nosso jeito de ser e estar na vida que conseguimos alcançar aquilo que desejamos.
Todo ser humano é capaz, desde que, acredite em seu potencial, desde que ajudado por outro ser humano, desde que compreendido em suas dificuldades e aceitando suas limitações.
Acreditando no ser humano que você é, faço esta reflexão que fala de coisas que são capazes de fazê-lo chegar dentro de si e encontrar sua motivação para conquistar o que já existe em você! Todos têm potencialidades.
"Somos o que buscamos ser"...se queremos de verdade e acreditamos, encontramos um equilíbrio.
Para procurar o que se é, precisamos estar motivados a isso, encontrar em nós mesmos a vontade e a esperança, a crença e a determinação em SER.
Somos tantas coisas e não nos damos conta disso. Você já parou um minuto para refletir sobre as suas conquistas?
Lembra-se quantas coisas teve que perder para chegar onde está hoje? E o esforço feito até aqui, valeu a pena, não é mesmo?
Quando paramos para pensar em nós mesmos, conflitos emergem, parece que os caminhos que seguimos sempre são turvos e cheio de complicações, mas se assim o são, ou se apresentam é porque colocamos nossos pensamentos nesta direção.
A proposta é: Descomplicar!
Compreender melhor o que se pensa e se possível mudar nosso pensamento, isso é absolutamente possível, afinal o impossível foi inventado para que o tornássemos possível.
Estar equilibrado é estar no meio, nem tanto para lá, nem tanto para cá. Só encontramos o equilíbrio quando conseguimos nos manter no meio da situação.
Um equilibrista sabe que seu ponto de equilíbrio é o meio do pé. Todos nós somos equilibristas, sabemos conduzir a vida pelo meio. A responsabilidade é algo que nos é cobrada, e mesmo a responsabilidade pode ser tratada com equilíbrio. Nada na vida encontramos pronto. Tudo, temos que construir, se queremos viajar, mesmo que seja só no pensamento, devemos construir nossa viagem. “O pensamento parece uma coisa a toa, mas como é que a gente voa, quando começa pensar”, como diz na canção.
Transformar as coisas que vivemos em algo que seja bom para nós e é incrível quanta coisa se pode fazer a partir de nosso pensamento. Para ter amigos temos que buscar equilibristas como nós. Para termos um emprego, precisamos nos equilibrar como um equilibrista.
Muitas vezes as pessoas não podem nos ouvir, pensam que viver em equilíbrio é algo distante da realidade, por isso somos diferentes e as vezes nos sentimos sozinhos. O segredo é: "Equilibrar-se dentro do possível"...
Quando se pergunta a alguém: "Tudo bem?"
As respostas são: "Muito mal. Meu trabalho está estressante." Ou ainda "Muito bem. Tive aumento de salário."... Daí concluímos que quem vai mal ou vai bem são o trabalho, o aumento de salário que está relacionado com o trabalho, mas e as pessoas, como estão as pessoas?
É engraçado quando ouvimos: "Vou mal. Estou com muitos “grilos” na cabeça." Ou ainda "Vou bem. Hoje pela primeira vez, eu verdadeiramente vi um arco-íris."
Parece estranho, mas essas segundas pessoas falam delas mesmas.
As vezes caímos na vida e quando caímos queremos logo saber onde está o chão. Precisamos de chão, de algo concreto que nos apóie e saber que esse chão reside dentro de cada um de nós é o espetáculo maior de estar equilibrado. Poder dizer: "Olhe! Meu chão fui eu mesmo que fiz!"
Aprendemos a nos equilibrar com o tempo. Essa aprendizagem é interessante, saber que por si se fez o que podia. Vale a pena, vale muito a pena.
Para finalizar, é importante ressaltar, que na vida cada um acha o que quer. O convite feito a você que lê este escrito, é que encontre em você o equilíbrio para viver bem, tranquilo, centrado, sereno, calmo e sempre muito motivado a continuar de onde parou.
Seguir em frente é estar em movimento, é estar motivado, é ter motivo...
 
Por Márcia Chicareli Costa