terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Você se considera Tímido?

 É possível aprender a lidar melhor com esta característica utilizando experiências de vida  e  intervenção terapêutica.
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A comunicação é um comportamento, em larga medida, aprendido. Tanto os sons das palavras que emitimos como a forma e o conteúdo do que falamos, dependem das experiências que tivemos desde que nascemos. (...)
Se somos comunicativos é porque tivemos um ambiente favorável para expressar nossas idéias e sentimentos desde a infância. O contrário também é verdadeiro: se falamos pouco é porque não tivemos um ambiente favorável para desenvolver uma boa comunicação.
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A timidez é uma das causas de uma comunicação pouco eficaz. Pessoas tímidas falam com volume de voz reduzido e com pouca projeção, tem articulação fechada e, em momentos de nervosismo, a velocidade da fala se acelera e a voz fica trêmula, ocorrendo também bloqueio da fala ou gagueira. Pigarreiam e suspiram com freqüência, gesticulam menos e fazem mais gestos de autocontato, evitam contato de olho, sorriem pouco e de forma contida e tem postura tensa ou curvada para frente. (...)
A inibição e ansiedade são provocadas porque o indivíduo avalia o outro como uma ameaça ou estímulo negativo a sua integridade psicológica.

CAUSAS E MANIFESTAÇÕES

 
Vários autores acreditam que existe uma tendência inata para a timidez, mas estes autores também afirmam que a tendência inata por si só não é suficiente para desenvolver a timidez. Situações que ocorrem no decorrer da vida do indivíduo são decisivas no estabelecimento da timidez, tais como, tratamento severo por parte de pais e professores, pais exigentes, perfeccionistas, tímidos e superprotetores, aparência física, mudanças de vida (mudar de escola, de emprego ou de país, divorcio), experiências negativas anteriores.
A timidez se manifesta no corpo, no comportamento, no pensamento e sentimento do individuo. Boca seca, taquicardia, suor tremor, dor de cabeça e mãos frias são algumas das reações corporais.
Elas pensam que os outros são mais importantes do que ela, subestimam sua competência (...) superestimam as conseqüências de suas ações. Principalmente as que consideram inadequadas e se autopunem com freqüência.
Pessoas tímidas sentem medo, vergonha, rejeição, solidão e sua auto-estima é baixa, além de se considerarem menos inteligentes do que os não-tímidos.
(...)
Não é um defeito de personalidade, mas pode limitar as experiências de vida de um indivíduo.
Não é possível eliminá-la, mas o indivíduo pode aprender a lidar melhor com a timidez, obtendo sucesso em sua comunicação e , conseqüentemente, em seus relacionamentos profissional, social e familiar.
Mas a timidez tem um custo muito alto. Crianças e adolescentes tímidos são sempre alvos de gozações e perdem oportunidade de participar de grupos, quer seja de lazer ou estudo. (...)
Tornam-se sós, tem dificuldade de iniciar relacionamentos amorosos e de amizade, demoram a escolher suas carreiras e podem usar álcool e drogas como lubrificantes sociais.
No entanto, essa característica não tem apenas aspectos negativos. A timidez deve ter tirado muitos de nossos ancestrais de confrontações com feras perigosas, garantindo a perpetuação de nossa espécie. (...)
Pessoa tímidas são excelentes ouvintes e consideradas ótimas amigas.
Não existe cura para a timidez porque não é um problema que deve ser eliminado.
O tímido deve aceitar com amor sua condição e mudar suas opções de pensamento e comportamento. Isto é um fenômeno irreversível e imutável. É possível aprender a lidar melhor com essa característica com o passar do tempo, por meio das experiências de vida, com intervenção terapêutica ou programas de treinamentos.
 
Por Leda Vasconcellos – Revista Ciência & Vida – Psique


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Reflexões sobre o sofrimento


Fugir do sentimento equivaleria a se ausentar da própria vida e de si mesmo.

Angustias impensáveis, tristeza, desespero, decepção, abandono, solidão, falta de amor, baixo auto-estima, traumas... Longa é a lista de emoções que geram sofrimento emocional. Fugir deles? Seria muito bom se pudéssemos fazer isso sem maiores conseqüências, que houvesse uma tecla que apertássemos e pronto, deleted; ou até mesmo uma cirurgia superespecializada para extirpar aquilo que nos faz sofrer; e o mundo todo poderia ser diferente, um paraíso idealizado onde tudo funcionasse, onde todos fossem bons e honestos, onde banco não cobrasse juros do cheque especial, onde não houvesse transito, traições e guerras onde nossas necessidades fossem atendidas prontamente. Mas não é assim. Não dá para fantasiar, porque até mesmo aquele livro que eu gosto, a novela, ou a história do conto de fadas só faz sentido porque há drama, há sentimentos dos bons, dos ruins, dos insossos, há lutas, há vitórias, há derrotas, há vida, há morte, há dor e há prazer.(...)
Mas até para sofrer precisamos ter aparato, estrutura e saber que podemos atravessar a dor e sair dessa travessia mais humanos, fortalecidos e criativos. (...)
A primeira vez que ouvi isso em minha sessão de análise, achei interessante o discurso. Pensei comigo: “mas eu já sofri tanto, já passei por cada uma e não estou me sentindo necessariamente mais humana, fortalecida e criativa com isso. Na verdade estou cansada, farta (...)”, mas existia um fato irrefutável. Estava novamente ali sofrendo, angustiada e mesmo depois de episódios anteriores da minha vida, parecia ainda não ter aprendido a lidar com isso, ou comigo, ou com o meu próprio sofrimento. Na verdade descobri que era especialista em fugir dele, em mudar realidades, em ocupar minha mente com atividades intelectuais, em construir novos cenários e fazia tudo da melhor maneira possível, mas o incansável me perseguia. Na verdade estava sempre comigo porque era meu. Meu sofrimento, minha dor. (...)
Ainda não sou uma especialista em atravessar tempestades no deserto das dores, e, para falar a verdade, não almejo ser. Contudo, agora sei que posso atravessá-las, saio mais fortalecida delas, mais apossada de mim e com menos medo. As travessias são mais curtas, pois estou aprendendo a lidar com o deserto e as tempestades.

Por Maristela Vendramel Ferreira – Revista Ciência & Vida – Psique.

Os aposentos vazio da depressão


Em geral, a experiência depressiva se caracteriza por sofrimentos de tamanha intensidade que dificilmente podem ser imaginados por quem nãos os sentiu.
Para quem sofre de depressão, sentir-se não compreendido na própria dor torna mais aguda a sensação de estranheza e de pena de si. Estímulos, conselhos, exortações para reagir e fortalecer-se nada mais fazem que acentuar a desesperada solidão do paciente, sua insustentável responsabilização por alguma coisa que já não controla.(...)
Embora a perda de energia e vitalidade, as sensações de confusão, a incapacidade de concentrar-se, fazer escolhas, trabalhar e amar possam ter intensidades diferentes de pessoa para pessoa, significam, de todo modo, um pano de fundo constante. Além disso, sentimentos de impotência e derrota dominam o cenário. Os dias começam com o pesadelo de novas e intermináveis provas a enfrentar. Até atividades elementares, como levantar-se, lavar-se, passear e outras tantas, custam esforços imagináveis. (...) A sucessão de dias que parecem iguais, sem melhoras, revigora a visão pessimista do paciente quanto ao próprio futuro. A postura em relação a esse distúrbio, todavia muda de indivíduo para indivíduo.
Na depressão o suicídio é muito freqüente.


Por Mauro Maldonato – Revista Viver Mente & Cérebro.